sábado, 18 de abril de 2009

Será o fim do embargo americano a Cuba? E porque houve o embargo?


O anúncio da Casa Branca nesta segunda feira dia 14/04/2009 marcam o fim de certas restrições dos EUA em relação a Cuba. Limites impostos a cubanos que vivem nos EUA como a impossibilidade de irem a ilha ou o envio de dinheiro para parentes que residem na Cuba, tem um ponto final. Foi anunciado também o fim de restrições que impediam que empresas norte-americanas operassem em Cuba, as empresas estão agora autorizadas a firmarem acordos com o governo cubano pra que se estabeleça comunicações por fibra ótica ou via satélite entre os dois países, além disso as empresas poderão também transmitir programas de televisão e rádio americanos aos cubanos.
EUA e cuba reduzem as distancias e as duas bandeiras se encontram cada vez mais próximas. Tudo indica que em um futuro próximo podemos ter a formação de laços comerciais entre os dois países.
Aproveitando este momento, iremos relembrar como se deu a ascensão da Revolução Cubana, fato muito importante para a America Latina e que levou os irmãos Castro ao poder.


A revolução cubana



Em 1953 os estudantes começam protestos contra a ditadura de Fulgêncio Batista. Em 26 de julho do mesmo ano, os irmãos Fidel e Raul Castro junto ao médico argentino Ernesto “Che” Guevara organizam o ataque ao quartel da Moncada. Iniciativa não foi bem sucedida, causando a morte de quase metade dos guerrilheiros. Após ter amargado a prisão até 1955 os três foram libertados e se exilaram no México. Pouco tempo depois os revolucionários voltaram a Cuba no Granma, um pequeno iate. Novamente as tropas de Batista provocaram pesadas baixas entre os guerrilheiros. Fidel, Raul, “Che” e poucos outros conseguiram alcançar as montanhas a famosa Sierra Maestra. Os líderes começaram a organizar os camponeses e a procurar o apoio de uma parte da burguesia. Fidel pregava, também, o fim da exploração dos camponeses que não tinham propriedade de terra, pois quando conseguiam o empréstimo para o cultivo deviam pagar juros altíssimos, além disso, os guardas florestais cobravam impostos indevidos. Isso fomentou o movimento guerrilheiro que recebia treinamento militar e educação política. Foi-se concretizando então a idéia de derrubar militarmente Batista. Unificaram-se vários movimentos nacionalistas formando a Frente Democrática Nacional, cujo objetivo era formar um governo democrático pondo fim à ditadura de Batista. A Frente se tornou então um partido político que recolheu mais de 8.000 assinaturas de eleitores pedindo um novo pleito. Este pedido foi, porém, negado pelo governo de Batista. Esta recusa evidenciou o caráter autoritário do ditador, motivando ainda mais o movimento nacionalista à luta. O lema dos revolucionários era “eleições livres e derrota do governo anti-cubano”. As principais reivindicações do Partido eram:
a) Anistia para os presos políticos e sociais;
b) Total revogação dos decretos-leis de ordem pública e anticomunista;
c) Final do fechamento de Hoy, La Calle, e outros jornais e restabelecimento efetivo da liberdade de imprensa;
d) Restabelecimento dos direitos democráticos inclusive dos direitos de reunião de trabalhadores e funcionários, do direito de se organizarem e de fazer manifestações de protesto contra reduções de salário;
e) Extinção do imposto sindical fascista;
f) Facilidade para a participação de todos os partidos e núcleos democráticos, operários, antiimperialistas, socialistas e progressistas, nas eleições, restabelecendo os princípios da constituição de 1940;
g) Voto livre e direto.
Não tendo êxito por meios legais, negados pelo ditador Batista, acirra-se a luta armada. Em outubro de 1958 inicia a “Marcha sobre Havana”. Os revolucionários tomam a capital de Cuba em janeiro de 1959. Após a fuga para os EUA de Fulgêncio Batista, constituiu-se um governo moderado com Manoel Urritia como presidente e Miró Cardona como primeiro-ministro. As primeiras medidas são, porém, bastante radicais, como: nacionalização de empresas americanas de petróleo e transporte; reformulação da educação e saúde; é eliminado o latifúndio e se inicia a reforma agrária. Estas mudanças eram excessivas para a burguesia, mas tímidas demais para população mais carente. Fidel Castro assume então o poder para agilizar e aprofundar tais reformas.
Obviamente estas medidas desagradam profundamente a Casa Branca que, antes, promove o boicote ao açúcar cubano e, em seguida, financia grupos anti-castristas que acabam por tentar a invasão da ilha. Os anti-revolucionários são, porém, rapidamente derrotados na famosa batalha da Baía dos Porcos. As pressões americanas continuam e culminam com a expulsão de Cuba da Organização dos Estados Americanos, em 1962. Estas medidas isolacionistas obrigam o governo revolucionário que, mesmo tendo referências marxistas-leninistas, era acima de tudo nacionalista, a se aproximar da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Proporcionando ao mundo o mais grave episódio da Guerra Fria: a grave crise dos mísseis instalados na ilha pela URSS que ameaçavam os EUA, considerando que o estado americano da Florida dista, apenas, 100 milhas de Cuba. A solução pacífica da crise não amenizou o embargo americano que dura até hoje tal como o governo de Castro e o regime comunista.
postado por: Rafael Vicente da Rocha Chirone e Sheldon Thiago Pontes Gomes


sábado, 11 de abril de 2009

A história do homem que sonhou com a indústria automobilistica brasileira.



"Automóvel não se fabrica, compra-se. É coisa para multinacionais."
O desafio de Gurgel com os automóveis começou em 1949, quando apresentou, em um exame da Escola Politécnica da USP, um projeto de carro. A frase acima foi proferida por um professor que quase o reprovou. Começava a história do engenheiro que foi aos Estados Unidos buscar know-how na indústria automobilística americana, trabalhou nas maiores fábricas do planeta e publicou artigos em revistas especializadas americanas aos singelos 27 anos.
Foi na América que obteve o diploma de Engenheiro Automobilístico pelo General Motors Institute. Depois, trabalhou na GM do Brasil e, mais tarde, na Ford. Em seguida participou do Geia (Grupo Executivo da Indústria Automobilística), programa instituído pelo então presidente Juscelino Kubitscheck.
Em 1958, quando o filho estava nascendo, João Augusto Conrado do Amaral Gurgel pediu demissão da Ford, onde trabalhava, depois de uma discussão com o vice-presidente da companhia sobre a insistência do executivo em não trazer carros para o Brasil.
A Ford queria permanecer só no mercado de caminhões. A alegação era de que um país com renda per capita de US$ 129 por ano, em média, não podia consumir carros. Por mais que Gurgel argumentasse, essa posição era irredutível. A resposta do jovem engenheiro foi definitiva, iniciou a produção de automóveis com apenas US$ 50 mil.
Na verdade, o início da saga desse brasileiro empreendedor se deu com a Moplast, dedicada a luminosos e painéis. Paralelamente, ele iniciou a fabricação de carros com o chassi e o motor do Fusca. Em 1969, criou, em São Paulo, a Gurgel Indústria e Comércio de Veículos, com quatro funcionários e produção mensal de quatro automóveis. Era o começo de uma história não tão longa, mas absolutamente heróica, que deixou um saldo positivo de 40 mil carros produzidos e vendidos.
Expectador e personagem da história, Gurgel relembrou, em uma de suas últimas entrevistas, concedida à jornalista Carolina Andrade, em 1994, os tempos iniciais do governo JK: “Quando Juscelino fez o projeto da indústria automobilística no Brasil, eu ajudei. Trabalhei com o Almirante Lúcio Meira e toda aquela turma que formou o Geia. Eu era, naquele tempo, assessor da presidência da Ford. O projeto inicial do Juscelino era o da nacionalização progressiva por peso. De 20% no primeiro ano até 90% ao fim de cinco anos. As multinacionais achavam que não podíamos fazer velocímetros, não podíamos fazer rolamentos, e a nacionalização nunca ia chegar a 100%. Baseados nessa idéia, construímos um projeto de indústria automobilística que pode ser carroça ou não ser carroça, mas que gerou muito emprego e, por meio dela, foi possível também gerar a indústria - de autopeças. Tudo isso foi feito até 1980. O Brasil ia crescendo na produção de maneira bárbara. Chegamos a 1,16 milhão de carros. Agora, devido a essa história de globalização da economia — eu não gosto nada dessa palavra — temos de abrir as portas. E destruir tudo aquilo que foi feito pelo Juscelino."
LINHA DO TEMPO
Em 1980, foi lançada a pedra fundamental da fábrica de veículos elétricos Gurgel, em Rio Claro (SP). O primeiro carro sairia da linha de montagem um ano depois; e o sucesso o tornaria famoso em toda a América Latina, para onde foi amplamente exportado.
Em 1983, Gurgel assina um acordo de cooperação com a Volkswagen, para atuarem conjuntamente na fabricação e na montagem de utilitários Gurgel, em países que recebiam veículos Volkswagen no regime CKD (completamente desmontados).
Em 1985, é criada a Gurgel-Tec, com apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), órgão do Ministério da Ciência e Tecnologia. Em 1986, é fabricado o Carro Econômico Nacional (Cena), depois denominado BR-800. A empresa vive um período de grande efervescência: a fábrica é ampliada; o número de funcionários cresce; e é construído o Centro Geral de Usinagem (CGU).
O ano se encerra com uma revolução: em dezembro, é apresentado ao mercado o motor de dois cilindros contrapostos, com 800 cilindradas, um marco da Gurgel.
Em 1987, é lançada a Campanha de Abertura de Capital, e 10 mil lotes de ações são colocados no mercado. Dois anos depois, a Gurgel adquire uma área de 650 mil metros na Grande Fortaleza (CE), onde planeja construir sua segunda fábrica.
É a partir daí que começam os problemas, muitos deles tendo como causa o não cumprimento do protocolo de intenções por parte dos governadores Ciro Gomes, do Ceará, e Luiz Antonio Fleury Filho, de São Paulo.
A empresa se abala e inicia vertiginosa derrocada. Em 1993, a Gurgel pede concordata. Apesar disso, no mesmo ano ganha o 70 Troféu Europa à Qualidade, conferido pelo Editorial Office e pelo Trade Lider’s Club, que congrega 12 mil associados em 112 países.
Um dos modelos bem-sucedidos foi o mini BR-800, pensado para ser um carro de altos volumes e que utilizava as mesmas engrenagens de câmbio do Chevette da GM.O design do BR-800 era avançado para a época e a proposta do carro pequeno também ganhava corpo num Brasil em que os altos volumes se voltaram para os carros populares. A abertura do mercado, feita pelo então presidente Fernando Collor de Mello, que reduziu o IPI para carros de 1.000 cm3 de cilindrada, além de tirar as vantagens tributárias do BR-800, pegou a Gurgel fragilizada economicamente - praticamente decretando o fim da endividada companhia nacional de autoveículos. O empresário acusou além do governo federal,o governo estadual do Ceará e de São Paulo do que chamou de "perseguição", que continuaria por mais 10 anos, até que fosse decretada a falência total da companhia.
O sonho acabou morrendo junto com Gurgel, que dedicou quase 30 anos de sua vida ao projeto do carro nacional. De qualquer forma, muitos de seus produtos continuam rodando por aí, conduzindo a história do heróico empreendedor
Em 30 de janeiro de 2009, com saúde há muito debilitada, pois sofria de Alzheimer deixou o mundo.
Gurgel morreu sem que ganhasse em vida o reconhecimento merecido, mas deixou marcas indeléveis de ousadia e 40 mil veículos produzidos ao longo de 30 anos.
A Gurgel e a Embraer são do mesmo ano. Ambas nasceram de sonho e antevisão de homens que acreditavam que era possível fazer carros e aviões com tecnologia nacional. A Gurgel ficou no meio do caminho enquanto a Embraer se tornou a terceira maior do setor no mundo. "Da mesma forma que ajudamos a criar, lutamos para que a Embraer fosse privatizada, pois, sabíamos, esse era o futuro", costuma dizer Ozires Silva, articulista da Gazeta Mercantil.Gurgel não pode ser acusado de omisso nem de fazer corpo mole em defesa das idéias nas quais acreditava. Em meados dos anos 70 Gurgel se envolveu na discussão sobre o Proálcool. Ele se posicionou contra o sistema de produção por considerar que as terras nobres do interior paulista não deveriam ser utilizadas para a cana-de-açúcar e sim de alimentos.
De acordo com o jornalista Fernando Calmon, colunista da Gazeta Mercantil, o engenheiro Gurgel criou algumas soluções técnicas brilhantes, outras nem tanto. A fase mais criativa foi ao lançar, em 1984, seu primeiro automóvel urbano, o Xef, para três passageiros numa única fileira. Tinha apenas 3,12 m de comprimento, mas 1,70 m de largura. Para Calmon, se o empresário Gurgel tivesse mantido sua especialização nos utilitários talvez sobrevivesse, pois chegou a exportá-los para 40 países.
Termina assim a história de um brasileiro que deixou seu legado, e sua proposta de industrialização do país, para uns uma tentativa frustrada, mas para muitos um exemplo de sucesso, coragem e ousadia.

Autor: Hélio Araújo. Aluno do 5º semestre de Relações Internacionais.

Resultado da última enquete:
Pergunta: Qual a sua opinião quanto a unificação do vestibular proposta pelo governo federal?
Resultado: A favor (1 voto)
Contrário (3 votos)
Desconhece o tema (1 voto)

quinta-feira, 2 de abril de 2009

AULA MAGNA COM BERTHA BECKER



No dia 27 de Março, a UFRR teve o prazer de receber como palestrante uma das maiores pesquisadoras do Brasil, Bertha Becker, autora de vários livros sobre a Amazônia. Com este nome de peso nas áreas da Geografia e das Relações Internacionais, o auditório Alexandre Borges ficou pequeno para os amantes do trabalho da Senhora Becker. Vale ressaltar que ela já recebeu uma medalha de honra do Instituto Rio Branco, logo se percebe o valor da sua palestra para as pessoas ali presentes e o esforço da Reitoria para conseguir este pacote de conhecimento.
A palestra “Amazônia: Perspectivas para o III Milênio.”, baseou-se nas estratégias de Bertha Becker tanto para a floresta quanto para as cidades dentro do extenso território. Em uma análise do aproveitamento do espaço Amazônico, a pesquisadora define um novo padrão de desenvolvimento para a Amazônia, isto implica na utilização do capital sem destruí-lo. Segundo Becker esta perspectiva de utilização dos ecossistemas sem esgotar a floresta constitui um grande desafio, porém não é impossível, mas certamente seria fundamental o uso da tecnologia e inovação neste processo.
Interessante abordar a novidade histórica mencionada pela palestrante, a qual afirma que os ecossistemas estão sendo mercantilizados pelos serviços ambientais, sendo assim um recurso de grande importância para o cenário Amazônico. Neste caso é necessário encontrar soluções que não destruam a mata e ainda assim promover o desenvolvimento sustentável na região. Assim, analisa-se a questão da mata densa, esta deve ser preservada, todavia é mais viável a produção não madeireira tal como fármacos experts, a fim de conduzirem as pesquisas cientificas na área.
Já na mata aberta e de transição, Becker salienta a necessidade de gerar riquezas, logo estas áreas precisam ter uma organização e industrialização. Métodos como atribuição de valor a madeira, intensificação da pecuária, estimulo à pequena produção de alimentos e redes de cidades industriais são necessárias ao incentivo para a economia nesta região. Para o cerrado, a industrialização de soja e a intensificação da pecuária também são recomendadas.

No tocante às expectativas da pesquisadora para a região Amazônica, abordam-se as possíveis de resoluções, como os grandes investimentos com foco no desenvolvimento, a importância da cidade-média (Manaus, Pará), a recuperação de áreas alteradas, o incentivo à produção de alimentos pela população indígena. Por último o desenvolvimento da parceria entre os países vizinhos especialmente nas áreas de fronteira. Enfim estas expectativas explanadas pela palestrante direcionam um foco maior ao desenvolvimento econômico da região, não se esquecendo de defender a mata densa citada pela mesma de “coração florestal”.
Visto que a questão da Amazônia é tema corrente nos debates de relações internacionais, as pesquisas da autora Bertha Becker são de relevância aos alunos do curso de RI, principalmente nós da UFRR devido à situação estratégica em que a instituição se encontra. Esta temática sobre Roraima também foi citada pela pesquisadora, esta classifica o estado rico em recursos naturais e culturas indígenas.
Dessa forma a pesquisadora especializada em assuntos amazônicos, Bertha Becker, definiu as perspectivas interessantes para o futuro da Amazônia incluindo na palestra as estratégias, as quais viabilizam o desenvolvimento sustentável na região. Com isso a Senhora Becker encerrou sua palestra com uma proposta para a Universidade de Roraima, a qual incentivava as pesquisas e estudos sobre a região Amazônica.

Escrito por: Gabriella Machado Nobre, aluna do 3º semestre do curso de Relações Internacionais.

quinta-feira, 26 de março de 2009

O Mundo Pós-Americano

Uma intrigante narrativa acerca dos prognósticos da política internacional no século 21 se mescla a uma abordagem de futurologia no mais recente livro de Fareed Zakaria The post-American World.[1] Notório pelo teor crítico de suas análises na revista norte-americana NewsWeek, contra a política externa do governo Bush, Zakaria pendula entre o fascínio pelos novos poderes emergentes e o otimismo acerca do futuro da democracia liberal no mundo. O argumento central de Zakaria é que estamos entrando em um mundo pós-americano, no qual China e Índia representam uma nova perspectiva na configuração global de poder, muito mais disseminado, diluído e até certo ponto democratizado. Não se trata de uma obra sobre o declínio dos Estados Unidos, mas sobre “the rise of the rest”.
O objetivo da obra é instigar estudiosos e leitores interessados nas relações internacionais, e nas ciências humanas em geral, a vislumbrar os delineamentos e formas de um mundo novo: inventado não na ruína imaginada de um império colossal, mas na ascensão de uma ordem de grandes possibilidades. A narrativa inclui experiências pessoais de vida, desde sua saída da Índia em 1982 até suas recentes viagens de trabalho pelos países asiáticos, onde pôde constatar as transformações operadas naquelas sociedades. Apresenta ao longo do livro um enfoque globalista muito pertinente às explicações atuais das Ciências Humanas, mas que carece de uma visão acurada da realidade brasileira e sul-americana.
Conceitualmente, o livro avança ao apontar uma nova forma de conceber a ordem internacional no século 21. Fareed Zakaria contribui ao agregar uma nova perspectiva às discussões já em voga e, assim, a idéia de um mundo pós-americano é adequada do ponto de vista teórico, pois se articula com o discurso pós-moderno, e é operacional do ponto de vista conceitual, pois preenche uma lacuna de definição acerca da nova era em que vivemos. Entretanto, um ensaio que pretende vislumbrar o desenrolar do tempo presente em cenários futuros depara-se com óbices inelutáveis: não conseguir enxergar a eclosão de contingências históricas, nem respaldar e embasar sentenças e afirmativas pelo acesso criterioso às fontes primárias. Por fim, a obra de Zakaria exagera na mensagem triunfalista, de recuperação da hegemonia benevolente, como tentativa de reconstruir a imagem dos EUA após os oito anos de fracasso da gestão neoconservadora do governo Bush.
De qualquer forma, Zakaria dá continuidade a uma tradição de pensadores de grande impacto midiático como Francis Fukuyama, Samuel Huntington e Thomas Friedman. Ademais, o novo governo democrata de Barack Obama torna o livro sobre as idéias e ações dos EUA no mundo de hoje indispensável. Entretanto, não fica incólume à reflexão científica. Caso encontrasse o Sr. Fareed Zakaria, perguntaria: “Dear Mr. Zak, wouldn’t be the post-American world a brand new world with the United States above the rest? "


Escrito por: Thiago Gehre, Historiador de Relações Internacionais, Chefe do Departamento de Relações Internacionais da Universidade Federal de Roraima.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Kubrick: O gênio do cinema.


Kubrick:

O gênio do cinema.



Nascido em 26 de julho de 1928, no Bronx, em Nova York, Stanley Kubrick foi e continuará sendo um gênio das artes cinematográficas. Perfeccionista, o mesmo teve suas produções renegadas pela Academia diversas vezes, e hoje faz uma imensa falta no cinema. Entre suas produções estão Laranja Mecânica, Nascido Para Matar, Dr. Fantástico e entre tantos que hoje geram debates e discussões, do amado pela crítica e público. Marcado por uma carreira considerada “agourenta”, Kubrick nunca deixou de acreditar no potencial de seus filmes, e assim se glorifica como o mestre do cinema moderno.

Stanley Kubrick estava além de seu tempo, não gostava de ser filmado, nem fotografado. Era um doente detalhista, brigou com o governo do Reino Unido, fazia críticas sociais e adorava política. Dr. Fantástico (Dr. Strangelove or How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb) é um de seus aclamados filmes políticos. Com um roteiro indicado ao Oscar escrito por Kubrick, a história baseada no livro Alerta Vermelho girava em torno de um general enlouquecido pela Guerra Fria e ordena um ataque nuclear à União Soviética, e não percebe que isso poderia causar a Terceira Guerra Mundial. A comédia de Kubrick é uma ironia a bipolarização do mundo e traz discussões sobre conceitos éticos e maniqueísmo. Dr. Fantástico seria lançado nos cinemas americanos em dezembro de 1963, mas sua estréia terminou sendo adiada para o ano seguinte devido à proximidade com o assassinato do presidente americano John F. Kennedy, que ocorreu em 22 de novembro de 1963.

Outra obra atemporal de Kubrick é Laranja Mecânica (A Clockwork Orange). O filme se passa no futuro, sem uma data exata. Somos apresentados a Alex (Malcom Mc Dowell) e sua gangue os denominados “droogs”, estes se divertem sempre à custa da tragédia das pessoas. Alex cai nas mãos da polícia. Preso este é usado como experimento pelo governo, o mesmo acaba com os impulsos maléficos do cidadão, mas a experiência acaba falhando. Laranja Mecânica pode ser considerada a obra mais polêmica e respeitada do diretor, a mesma foi banida do Reino Unido por mais de vinte anos. Baseado no livro de Anthony Burgess, hoje é reverenciado, mas na época “paz e amor” dos anos 70 foi diferente. Jovens da Inglaterra levaram o filme à sério demais, e repetiam a violência do cinema na vida real, e quando julgados a justificativa dos mesmos era a influência negativa do filme de Kubrick. Irritado, o cineasta declarou que o filme só seria exibido no Reino Unido após sua morte, e assim foi feito.

Ainda no campo da política internacional surge o realista Nascido Para Matar (Full Metal Jacket). O filme apresenta o horror enfrentado por jovens militares treinados para a Guerra do Vietnã. O longa-metragem é apresentado em duas partes, na primeira hora nos deparamos com o cruel treinamento militar de um sargento fanático que quer transformar os militares em máquinas de matar, e depois na própria guerra aonde eles vão se deparar com temores tão grandes quanto à morte. O roteiro do filme foi escrito por Stanley Kubrick e seu amigo Michael Herr, que participou como correspondente na guerra, trazendo uma realidade quase insuportável, onde o diretor primou por cenas violentas. Novas críticas ao governo americano, e humor negro com os estúdios Walt Disney são o forte do filme. Na época de seu lançamento foi deixado de lado, pois Platoon de Oliver Stone já tinha sido lançado antes e feito bastante sucesso. Uma injustiça tremenda, pois a obra de Kubrick é tão boa quanto à do colega de profissão Stone.

O cineasta faleceu no ano de 1999, seu último filme foi De Olhos Bem Fechados (Eyes Wide Shut). Não conseguiu realizar o projeto A.I – Inteligência Artificial (Artificial Inteligence) engavetado por mais de 20 anos. Antes da pré-produção do filme morreu, e o projeto passou pro cineasta Steven Spielberg que fez um filme competente, mas que não lembra em nada a visão realista e genial de Kubrick. O legado cinematográfico de Stanley Kubrick ficará marcado na história, ele em minha opinião foi o maior cineasta que existiu, e que continuará vivo nas suas obras cinematográficas.

por: Lucas Brilhante Veloso

domingo, 15 de março de 2009

Watchmen e as Relações Internacionais

Caro leitor, muito provavelmente você deve ter reconhecido a imagem acima ou, pelo menos, se perguntar onde viu esse nome: Watchmen? O título da mais nova adaptação de uma Graphic Novel (HQ, quadrinho ou gibi como preferir) aos cinemas por Zack Snyder, o mesmo diretor de 300, está em todas as mídias, principalmente, na internet. Talvez por isso você esteja se perguntando “até aqui?” em um Blog que pretende discutir as Relações Internacionais de um ponto de vista quase “periférico” que é o da região amazônica. Espero que ao final desse texto você também tenha compreendido que Watchmen tem tudo a ver com as Relações Internacionais (RI).
Mas o que fez a obra prima de Alan Moore e Dave Gibbons tão famosa, ao ponto de sua frase clássica “Who Watches The Watchmen?” (Quem vigia os vigilantes?) ter sido usada por uma juíza no prefácio de uma petição de busca e apreensão de acusados de pertencer a milícias do Rio de Janeiro? O prestígio de Watchmen tem mais a ver com a revolução que a obra fez no mundo dos quadrinhos ao criticar/parodiar personagens já consagrados tratando esses vigilantes fantasiados como seres reais de um mundo real, com problemas e questões morais que podem ocorrer com qualquer ser humano, principalmente, aqueles que viveram a Guerra Fria. Outro fator é que Watchmen utiliza de uma maneira nunca vista antes todas as possibilidades narrativas que esse tipo de arte permite. Mas como já foi citado acima este texto tem o objetivo de mostrar que é possível estudar Relações Internacionais por meio de um “gibi”.
A trama principal de Watchmen se desenrola basicamente em torno da investigação da morte de Edward Blake que é a indentidade civil do "aventureiro fantasiado" conhecido como Comediante. Quem investiga esse crime é o também “aventureiro fantasiado " Rorschach que acredita que se trata de um plano para eliminar todos os vigilantes mascarados. É Rorschach que de certa forma apresenta a história e os demais personagens por meio da sua investigação. No decorrer da história vão ocorrendo fatos que parecem dar razão às suspeitas de Rorschach.
Em Watchmen é possível ver com clareza o conflito entre os dois modelos econômicos que dividiam o mundo de 1985(ano em que se passa a história que foi publicada em 1986-87) em dois, de um lado temos o capitalismo capitaneado pelos Estados Unidos da América e do outro temos o comunismo da União Soviética.
No decorrer da história descobrimos que o homem assassinado no começo da trama tinha se tornado uma espécie de soldado de elite norte-americano atuando tal qual as verdadeiras tropas de elite americanas fizeram, no combate a movimentos guerrilheiros e governos de esquerda na América do Sul. O exemplo mais contundente foi a operação que culminou no assassinato de Che Guevara. Ele também atuou no cenário mais quente da Guerra Fria: o Vietnam. No quadrinho quem vence a guerra são os Estados Unidos, pois eles contam com a presença do Dr. Manhattan ( logo abaixo você terá uma análise específica sobre esse personagem) e temos o presidente Nixon chegando de helicóptero a Saigon o que permite que ele se reeleja até o período em que acontece a trama.
O físico Jon Osterman é o vigilante que ganha o nome de Dr. Manhattan, uma alusão ao famoso projeto Manhattan que consistiu na criação da primeira ogiva nuclear americana (isto é explícito na HQ). Esse vigilante é o único a ser dotado de poderes sobre humanos, pois na história o físico obtém a capacidade de ver como os átomos se movimentam e até mesmo manipular a matéria após ser desintegrado e se auto-reconstruir em um acidente num centro de pesquisa nuclear estadunidense. Graças ao Dr. Manhattan o mundo de Watchmen pode contar com dirigíveis eficientes, carros elétricos, etc. Estas pequenas invenções proporcionam a diminuição da poluição, isso nos leva a um interessante exercício de reflexão: como seria a vida e a política americana sem a influência das empresas petrolíferas? Mas a maior influência de Osterman é no campo bélico, ele faz pesar a balança do poderio militar para o lado dos EUA. Podemos, então, pensar nele como uma super ogiva nuclear. É por isso que na história a União Soviética só invade o Afeganistão após o auto-exílio em Marte do Dr. Manhattan, ou seja, sem ele há pelo menos um equilíbrio de forças/tecnologia nuclear, como de fato ocorria até o final da década de 1980.
Com a invasão soviética ao Afeganistão ficamos próximos de uma guerra nuclear. A preparação dos militares americanos e o temor da população em relação a tal conflito são magistralmente apresentados em inúmeros quadros. Podemos ver o presidente se abrigando na área 51, projeções de um eventual conflito atômico por parte dos militares, a construção de abrigos nucleares por Nova York e claro a desilusão das pessoas ao se aproximarem da guerra.
A frase “Quem vigia os vigilantes?” é espalhada pelas ruas de Nova York durante uma série de manifestações contrárias à atuação dos vigilantes mascarados que são proibidas em 1977 (apesar da história principal se passar entre Outubro e Dezembro de 1985, os vigilantes mascarados existem desde o final da década de 1930). Mas é bem claro que esta frase na verdade tratasse de uma crítica a atuação da CIA que durante a Guerra Fria, caçou comunistas e suspeitos de conspirar para o Kremlin, nem sempre utilizando métodos legais. Por sinal há suspeitas que o primeiro vigilante mascarado, que em 1938 fica conhecido como Justiceiro Encapuzado (o qual não tinha sua identidade civil revelada), pode ter sido assassinado pela CIA em função de ser um imigrante da Alemanha Oriental, numa passagem que só pode ser descrita como genial.
O personagem Rorschach usa uma máscara branca, com manchas de tinta simétricas pretas que mudam de forma a cada quadro (observe o filme ou a HQ com atenção). A máscara, como seu nome são derivados do famoso teste de Rorschach, um teste criado pelo psiquiatra suíço Hermann Rorschach. Explicando rapidamente, esse teste faz uma análise psicológica do indíviduo através da interpretação que o mesmo dá sobre essas “manchas”.
Por meio de Rorschach e suas inúmeras faces Moore e Gibbons nos perguntam a todo momento: “o que você está vendo aqui?” O que achamos sobre a clivagem do mundo em dois blocos econômicos, qual a sua opinião política sobre as nossas ações perante a sociedade, as várias gestões morais apresentadas no decorrer da narrativa e até o que achamos sobre a indústria de quadrinhos?
Então: O que eu vi em Watchmen?
Eu vi um complexo mas divertido modo de estudar as Relações Internacionais.
E você o que ver em Watchmen?

Rafael Vicente da Rocha Chirone

terça-feira, 10 de março de 2009

A PERSPECTIVA FEMINISTA NAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS



Por: Julia Camargo. Professora do curso de RI da UFRR.

Em 8 de março de 1857, em Nova Iorque, 129 operárias morreram queimadas em uma ação da polícia local para conter uma manifestação em uma fábrica de tecidos. Essas mulheres estavam protestando pela redução da jornada de trabalho de 14 para 10 horas diárias e pelo direito à licença-maternidade. Em 1975, por meio de um decreto, a ONU oficializou nesse dia o “Dia Internacional da Mulher” e desde então comemoramos as conquistas e, mais que isso, refletimos sobre o papel da mulher e suas condições na sociedade atual. Aproveitando o ensejo dessa data especial, o presente texto busca refletir sobre as contribuições feministas ao estudo das Relações Internacionais.
O pensar sobre a condição feminina nas RI nem sempre teve um espaço digno nas disciplinas teóricas da área. Comparada às outras Ciências Humanas, as perspectivas feministas emergiram nas RI em um período relativamente tardio. Ao questionar o porquê desse atraso, Halliday (Repensando as Relações Internacionais, 1999) aponta que os estudiosos das RI tenderam a ver o gênero como um problema intranacional e não internacional, resumidamente, como uma questão irrelevante para os assuntos da política mundial. Assim, a área de RI, por muito tempo, foi vista como um espaço de “gênero neutro”. As abordagens feministas somente ganharam lugar nas RI há pouco mais de uma década e é possível observar dois movimentos que galgaram a esse engendramento: um sistêmico e outro que chamaremos de prático.
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No campo sistêmico, o fim da Guerra Fria e a diluição das fronteiras nacionais com o fenômeno da globalização, possibilitaram que temáticas diversas passassem a fazer parte da agenda internacional. Obedecendo à premissa de que as RI não se resumem à dinâmica dos Estados e considerando o jogo de dois níveis de Putnam (Diplomacy and domestic politics: the logic of two-level games), no qual tudo aquilo que acontece no cenário internacional exerce influência no cenário interno dos Estados e vice e versa, o papel da mulher e da perspectiva feminista começaram a despontar na agenda dos estudos teóricos das RI.
Contudo, foi o campo prático (de práticas deploráveis) de abusos aos Direitos Humanos que definitivamente ancorou o papel da mulher nos estudos das RI. Quando a opinião pública e a mídia internacional denunciaram os estupros de mulheres se tornando uma ação freqüente de limpeza étnica em algumas guerras da década de 1990, como a da Bósnia, a disciplina de RI não teve mais como descartar a importância do gênero na política mundial, afinal “as mulheres se tornaram alvo de limpeza étnica não por serem de um grupo étnico ou tribal diferente, mas sim por serem o que são, mulheres”.(MESSARI; NOGUEIRA; Teoria das Relações Internacionais, 2005)
A perspectiva feminista das RI, de uma maneira geral, seguiu a tradicional premissa formulada pelas feministas de outras áreas: a subordinação da mulher ou a injusta assimetria entre mulheres e homens em aspectos sociais, políticos e econômicos. Assim, os primeiros questionamentos dos teóricos e das teóricas feministas foram: onde estão as mulheres nas RI? Existe alguma diferença para o processo de tomada de decisão dos Estados se as políticas são conduzidas por um homem ou uma mulher?
Influenciadas pelas perspectivas pós-modernas, com o passar do tempo, essa corrente teórica ampliou seu espectro e absorveu outros temas comumente negligenciados nos estudos da política mundial. Assim, a teoria feminista passou a investigar como o sistema internacional e a economia global contribuíram para a subordinação da mulher e outros grupos marginalizados e como esse mesmo sistema causou constrangimento e deficiência na área da segurança humana de grupos.
Deve-se considerar que, igualmente à teoria construtivista, a teoria feminista das RI possui uma gama de nuances e seus autores e autoras, que muitas vezes discordam entre si, abordam temas variados sob perspectivas, instrumentos analíticos, epistemologia e metodologia diversificadas. Portanto, pode-se falar na existência de feministas liberais, marxistas, pós-modernas, construtivistas, críticas. Se por um lado, essa ausência de uma agenda de pesquisa comum é considerada por alguns acadêmicos como uma fragilidade da teoria feminista, por outro, justamente por não possuir um arcabouço de princípios fechados é que essa perspectiva teórica tornou-se uma ferramenta analítica rica e multifacetada, a qual permite o acesso a diferentes realidades da sociedade internacional.
Mesmo com essa diversidade de temáticas, existe pontos em comum compartilhados pelas propostas feministas das RI. Os autores concordam que a preocupação central da corrente está em pesquisar e demonstrar como a vida de pessoas marginalizadas é posicionada em termos de raça, classe, cultura e, claro, gênero. A investigação se concentra em delinear como a política global exerce impacto sobre esses indivíduos e suas identidades e como os elementos de constrangimentos foram construídos por meio de discursos, regras e normas no tempo histórico. Hoje, observa-se pesquisas feministas trabalhando com temas diversos que afetam as RI, como por exemplo: governança global, economia internacional, tráfico de pessoas, construção de identidade, formação de discursos, etc.
De tal forma, a principal contribuição da teoria feminista das RI foi oferecer um espaço de diálogo sobre as condições humanas negligenciadas na área até então. Vozes que raramente foram ouvidas passaram a fazer parte da agenda internacional e políticas públicas internacionais começaram a agir em prol desses indivíduos. Um exemplo de uma dessas ações foi a Conferência de Beijing proposta pela ONU, em 1995, que discutiu os direitos da mulher.
Atualmente, o poder feminino nas RI está repleto de ações. O movimento das Mães da Praça de Maio na Argentina; OINGs lideradas por mulheres que lutam contra as práticas de mutilação feminina na África ou que lutam pelo direito à educação escolar de meninas no Afeganistão; formação de tropas de peacekeeping pela ONU, composta somente por mulheres para atuar em regiões onde abusos foram relatados; e a cada vez mais visível, porém ainda insatisfatória, ascensão de mulheres em postos de tomada de decisão relevantes para a configuração da política internacional. Por fim, dentro de suas limitações, a teoria feminista das RI é um convite para pensar um mundo mais democrático, includente, construído em instituições onde o gênero não representa um sistema de opressão histórico. São objetivos como esses, baseados em princípios de paz e justiça, que têm motivado a disciplina de Relações Internacionais desde a sua criação. O papel da mulher na construção desse mundo não deve ser negligenciado.
FELIZ DIA INTERNACIONAL DA MULHER!!!!
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Leitura recomendada: TICKNER, J Ann. Gendering World Politcs. New York, Columbia University Press, 2001.