quinta-feira, 26 de março de 2009
O Mundo Pós-Americano
O objetivo da obra é instigar estudiosos e leitores interessados nas relações internacionais, e nas ciências humanas em geral, a vislumbrar os delineamentos e formas de um mundo novo: inventado não na ruína imaginada de um império colossal, mas na ascensão de uma ordem de grandes possibilidades. A narrativa inclui experiências pessoais de vida, desde sua saída da Índia em 1982 até suas recentes viagens de trabalho pelos países asiáticos, onde pôde constatar as transformações operadas naquelas sociedades. Apresenta ao longo do livro um enfoque globalista muito pertinente às explicações atuais das Ciências Humanas, mas que carece de uma visão acurada da realidade brasileira e sul-americana.
Conceitualmente, o livro avança ao apontar uma nova forma de conceber a ordem internacional no século 21. Fareed Zakaria contribui ao agregar uma nova perspectiva às discussões já em voga e, assim, a idéia de um mundo pós-americano é adequada do ponto de vista teórico, pois se articula com o discurso pós-moderno, e é operacional do ponto de vista conceitual, pois preenche uma lacuna de definição acerca da nova era em que vivemos. Entretanto, um ensaio que pretende vislumbrar o desenrolar do tempo presente em cenários futuros depara-se com óbices inelutáveis: não conseguir enxergar a eclosão de contingências históricas, nem respaldar e embasar sentenças e afirmativas pelo acesso criterioso às fontes primárias. Por fim, a obra de Zakaria exagera na mensagem triunfalista, de recuperação da hegemonia benevolente, como tentativa de reconstruir a imagem dos EUA após os oito anos de fracasso da gestão neoconservadora do governo Bush.
De qualquer forma, Zakaria dá continuidade a uma tradição de pensadores de grande impacto midiático como Francis Fukuyama, Samuel Huntington e Thomas Friedman. Ademais, o novo governo democrata de Barack Obama torna o livro sobre as idéias e ações dos EUA no mundo de hoje indispensável. Entretanto, não fica incólume à reflexão científica. Caso encontrasse o Sr. Fareed Zakaria, perguntaria: “Dear Mr. Zak, wouldn’t be the post-American world a brand new world with the United States above the rest? "
Escrito por: Thiago Gehre, Historiador de Relações Internacionais, Chefe do Departamento de Relações Internacionais da Universidade Federal de Roraima.
quinta-feira, 19 de março de 2009
Kubrick: O gênio do cinema.
Kubrick:
O gênio do cinema.
Nascido em 26 de julho de 1928, no Bronx, em Nova York, Stanley Kubrick foi e continuará sendo um gênio das artes cinematográficas. Perfeccionista, o mesmo teve suas produções renegadas pela Academia diversas vezes, e hoje faz uma imensa falta no cinema. Entre suas produções estão Laranja Mecânica, Nascido Para Matar, Dr. Fantástico e entre tantos que hoje geram debates e discussões, do amado pela crítica e público. Marcado por uma carreira considerada “agourenta”, Kubrick nunca deixou de acreditar no potencial de seus filmes, e assim se glorifica como o mestre do cinema moderno.
Stanley Kubrick estava além de seu tempo, não gostava de ser filmado, nem fotografado. Era um doente detalhista, brigou com o governo do Reino Unido, fazia críticas sociais e adorava política. Dr. Fantástico (Dr. Strangelove or How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb) é um de seus aclamados filmes políticos. Com um roteiro indicado ao Oscar escrito por Kubrick, a história baseada no livro Alerta Vermelho girava em torno de um general enlouquecido pela Guerra Fria e ordena um ataque nuclear à União Soviética, e não percebe que isso poderia causar a Terceira Guerra Mundial. A comédia de Kubrick é uma ironia a bipolarização do mundo e traz discussões sobre conceitos éticos e maniqueísmo. Dr. Fantástico seria lançado nos cinemas americanos em dezembro de 1963, mas sua estréia terminou sendo adiada para o ano seguinte devido à proximidade com o assassinato do presidente americano John F. Kennedy, que ocorreu em 22 de novembro de 1963.
Outra obra atemporal de Kubrick é Laranja Mecânica (A Clockwork Orange). O filme se passa no futuro, sem uma data exata. Somos apresentados a Alex (Malcom Mc Dowell) e sua gangue os denominados “droogs”, estes se divertem sempre à custa da tragédia das pessoas. Alex cai nas mãos da polícia. Preso este é usado como experimento pelo governo, o mesmo acaba com os impulsos maléficos do cidadão, mas a experiência acaba falhando. Laranja Mecânica pode ser considerada a obra mais polêmica e respeitada do diretor, a mesma foi banida do Reino Unido por mais de vinte anos. Baseado no livro de Anthony Burgess, hoje é reverenciado, mas na época “paz e amor” dos anos 70 foi diferente. Jovens da Inglaterra levaram o filme à sério demais, e repetiam a violência do cinema na vida real, e quando julgados a justificativa dos mesmos era a influência negativa do filme de Kubrick. Irritado, o cineasta declarou que o filme só seria exibido no Reino Unido após sua morte, e assim foi feito.
Ainda no campo da política internacional surge o realista Nascido Para Matar (Full Metal Jacket). O filme apresenta o horror enfrentado por jovens militares treinados para a Guerra do Vietnã. O longa-metragem é apresentado em duas partes, na primeira hora nos deparamos com o cruel treinamento militar de um sargento fanático que quer transformar os militares em máquinas de matar, e depois na própria guerra aonde eles vão se deparar com temores tão grandes quanto à morte. O roteiro do filme foi escrito por Stanley Kubrick e seu amigo Michael Herr, que participou como correspondente na guerra, trazendo uma realidade quase insuportável, onde o diretor primou por cenas violentas. Novas críticas ao governo americano, e humor negro com os estúdios Walt Disney são o forte do filme. Na época de seu lançamento foi deixado de lado, pois Platoon de Oliver Stone já tinha sido lançado antes e feito bastante sucesso. Uma injustiça tremenda, pois a obra de Kubrick é tão boa quanto à do colega de profissão Stone.
O cineasta faleceu no ano de 1999, seu último filme foi De Olhos Bem Fechados (Eyes Wide Shut). Não conseguiu realizar o projeto A.I – Inteligência Artificial (Artificial Inteligence) engavetado por mais de 20 anos. Antes da pré-produção do filme morreu, e o projeto passou pro cineasta Steven Spielberg que fez um filme competente, mas que não lembra em nada a visão realista e genial de Kubrick. O legado cinematográfico de Stanley Kubrick ficará marcado na história, ele em minha opinião foi o maior cineasta que existiu, e que continuará vivo nas suas obras cinematográficas.
domingo, 15 de março de 2009
Watchmen e as Relações Internacionais
Caro leitor, muito provavelmente você deve ter reconhecido a imagem acima ou, pelo menos, se perguntar onde viu esse nome: Watchmen? O título da mais nova adaptação de uma Graphic Novel (HQ, quadrinho ou gibi como preferir) aos cinemas por Zack Snyder, o mesmo diretor de 300, está em todas as mídias, principalmente, na internet. Talvez por isso você esteja se perguntando “até aqui?” em um Blog que pretende discutir as Relações Internacionais de um ponto de vista quase “periférico” que é o da região amazônica. Espero que ao final desse texto você também tenha compreendido que Watchmen tem tudo a ver com as Relações Internacionais (RI).Mas o que fez a obra prima de Alan Moore e Dave Gibbons tão famosa, ao ponto de sua frase clássica “Who Watches The Watchmen?” (Quem vigia os vigilantes?) ter sido usada por uma juíza no prefácio de uma petição de busca e apreensão de acusados de pertencer a milícias do Rio de Janeiro? O prestígio de Watchmen tem mais a ver com a revolução que a obra fez no mundo dos quadrinhos ao criticar/parodiar personagens já consagrados tratando esses vigilantes fantasiados como seres reais de um mundo real, com problemas e questões morais que podem ocorrer com qualquer ser humano, principalmente, aqueles que viveram a Guerra Fria. Outro fator é que Watchmen utiliza de uma maneira nunca vista antes todas as possibilidades narrativas que esse tipo de arte permite. Mas como já foi citado acima este texto tem o objetivo de mostrar que é possível estudar Relações Internacionais por meio de um “gibi”.
A trama principal de Watchmen se desenrola basicamente em torno da investigação da morte de Edward Blake que é a indentidade civil do "aventureiro fantasiado" conhecido como Comediante. Quem investiga esse crime é o também “aventureiro fantasiado " Rorschach que acredita que se trata de um plano para eliminar todos os vigilantes mascarados. É Rorschach que de certa forma apresenta a história e os demais personagens por meio da sua investigação. No decorrer da história vão ocorrendo fatos que parecem dar razão às suspeitas de Rorschach.
Em Watchmen é possível ver com clareza o conflito entre os dois modelos econômicos que dividiam o mundo de 1985(ano em que se passa a história que foi publicada em 1986-87) em dois, de um lado temos o capitalismo capitaneado pelos Estados Unidos da América e do outro temos o comunismo da União Soviética.
No decorrer da história descobrimos que o homem assassinado no começo da trama tinha se tornado uma espécie de soldado de elite norte-americano atuando tal qual as verdadeiras tropas de elite americanas fizeram, no combate a movimentos guerrilheiros e governos de esquerda na América do Sul. O exemplo mais contundente foi a operação que culminou no assassinato de Che Guevara. Ele também atuou no cenário mais quente da Guerra Fria: o Vietnam. No quadrinho quem vence a guerra são os Estados Unidos, pois eles contam com a presença do Dr. Manhattan ( logo abaixo você terá uma análise específica sobre esse personagem) e temos o presidente Nixon chegando de helicóptero a Saigon o que permite que ele se reeleja até o período em que acontece a trama.
O físico Jon Osterman é o vigilante que ganha o nome de Dr. Manhattan, uma alusão ao famoso projeto Manhattan que consistiu na criação da primeira ogiva nuclear americana (isto é explícito na HQ). Esse vigilante é o único a ser dotado de poderes sobre humanos, pois na história o físico obtém a capacidade de ver como os átomos se movimentam e até mesmo manipular a matéria após ser desintegrado e se auto-reconstruir em um acidente num centro de pesquisa nuclear estadunidense. Graças ao Dr. Manhattan o mundo de Watchmen pode contar com dirigíveis eficientes, carros elétricos, etc. Estas pequenas invenções proporcionam a diminuição da poluição, isso nos leva a um interessante exercício de reflexão: como seria a vida e a política americana sem a influência das empresas petrolíferas? Mas a maior influência de Osterman é no campo bélico, ele faz pesar a balança do poderio militar para o lado dos EUA. Podemos, então, pensar nele como uma super ogiva nuclear. É por isso que na história a União Soviética só invade o Afeganistão após o auto-exílio em Marte do Dr. Manhattan, ou seja, sem ele há pelo menos um equilíbrio de forças/tecnologia nuclear, como de fato ocorria até o final da década de 1980.
Com a invasão soviética ao Afeganistão ficamos próximos de uma guerra nuclear. A preparação dos militares americanos e o temor da população em relação a tal conflito são magistralmente apresentados em inúmeros quadros. Podemos ver o presidente se abrigando na área 51, projeções de um eventual conflito atômico por parte dos militares, a construção de abrigos nucleares por Nova York e claro a desilusão das pessoas ao se aproximarem da guerra.
A frase “Quem vigia os vigilantes?” é espalhada pelas ruas de Nova York durante uma série de manifestações contrárias à atuação dos vigilantes mascarados que são proibidas em 1977 (apesar da história principal se passar entre Outubro e Dezembro de 1985, os vigilantes mascarados existem desde o final da década de 1930). Mas é bem claro que esta frase na verdade tratasse de uma crítica a atuação da CIA que durante a Guerra Fria, caçou comunistas e suspeitos de conspirar para o Kremlin, nem sempre utilizando métodos legais. Por sinal há suspeitas que o primeiro vigilante mascarado, que em 1938 fica conhecido como Justiceiro Encapuzado (o qual não tinha sua identidade civil revelada), pode ter sido assassinado pela CIA em função de ser um imigrante da Alemanha Oriental, numa passagem que só pode ser descrita como genial.
O personagem Rorschach usa uma máscara branca, com manchas de tinta simétricas pretas que mudam de forma a cada quadro (observe o filme ou a HQ com atenção). A máscara, como seu nome são derivados do famoso teste de Rorschach, um teste criado pelo psiquiatra suíço Hermann Rorschach. Explicando rapidamente, esse teste faz uma análise psicológica do indíviduo através da interpretação que o mesmo dá sobre essas “manchas”.
Por meio de Rorschach e suas inúmeras faces Moore e Gibbons nos perguntam a todo momento: “o que você está vendo aqui?” O que achamos sobre a clivagem do mundo em dois blocos econômicos, qual a sua opinião política sobre as nossas ações perante a sociedade, as várias gestões morais apresentadas no decorrer da narrativa e até o que achamos sobre a indústria de quadrinhos?
Então: O que eu vi em Watchmen?
Eu vi um complexo mas divertido modo de estudar as Relações Internacionais.
E você o que ver em Watchmen?
Rafael Vicente da Rocha Chirone
terça-feira, 10 de março de 2009
A PERSPECTIVA FEMINISTA NAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS

Por: Julia Camargo. Professora do curso de RI da UFRR.
Em 8 de março de 1857, em Nova Iorque, 129 operárias morreram queimadas em uma ação da polícia local para conter uma manifestação em uma fábrica de tecidos. Essas mulheres estavam protestando pela redução da jornada de trabalho de 14 para 10 horas diárias e pelo direito à licença-maternidade. Em 1975, por meio de um decreto, a ONU oficializou nesse dia o “Dia Internacional da Mulher” e desde então comemoramos as conquistas e, mais que isso, refletimos sobre o papel da mulher e suas condições na sociedade atual. Aproveitando o ensejo dessa data especial, o presente texto busca refletir sobre as contribuições feministas ao estudo das Relações Internacionais.
O pensar sobre a condição feminina nas RI nem sempre teve um espaço digno nas disciplinas teóricas da área. Comparada às outras Ciências Humanas, as perspectivas feministas emergiram nas RI em um período relativamente tardio. Ao questionar o porquê desse atraso, Halliday (Repensando as Relações Internacionais, 1999) aponta que os estudiosos das RI tenderam a ver o gênero como um problema intranacional e não internacional, resumidamente, como uma questão irrelevante para os assuntos da política mundial. Assim, a área de RI, por muito tempo, foi vista como um espaço de “gênero neutro”. As abordagens feministas somente ganharam lugar nas RI há pouco mais de uma década e é possível observar dois movimentos que galgaram a esse engendramento: um sistêmico e outro que chamaremos de prático.
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No campo sistêmico, o fim da Guerra Fria e a diluição das fronteiras nacionais com o fenômeno da globalização, possibilitaram que temáticas diversas passassem a fazer parte da agenda internacional. Obedecendo à premissa de que as RI não se resumem à dinâmica dos Estados e considerando o jogo de dois níveis de Putnam (Diplomacy and domestic politics: the logic of two-level games), no qual tudo aquilo que acontece no cenário internacional exerce influência no cenário interno dos Estados e vice e versa, o papel da mulher e da perspectiva feminista começaram a despontar na agenda dos estudos teóricos das RI.
Contudo, foi o campo prático (de práticas deploráveis) de abusos aos Direitos Humanos que definitivamente ancorou o papel da mulher nos estudos das RI. Quando a opinião pública e a mídia internacional denunciaram os estupros de mulheres se tornando uma ação freqüente de limpeza étnica em algumas guerras da década de 1990, como a da Bósnia, a disciplina de RI não teve mais como descartar a importância do gênero na política mundial, afinal “as mulheres se tornaram alvo de limpeza étnica não por serem de um grupo étnico ou tribal diferente, mas sim por serem o que são, mulheres”.(MESSARI; NOGUEIRA; Teoria das Relações Internacionais, 2005)
A perspectiva feminista das RI, de uma maneira geral, seguiu a tradicional premissa formulada pelas feministas de outras áreas: a subordinação da mulher ou a injusta assimetria entre mulheres e homens em aspectos sociais, políticos e econômicos. Assim, os primeiros questionamentos dos teóricos e das teóricas feministas foram: onde estão as mulheres nas RI? Existe alguma diferença para o processo de tomada de decisão dos Estados se as políticas são conduzidas por um homem ou uma mulher?
Influenciadas pelas perspectivas pós-modernas, com o passar do tempo, essa corrente teórica ampliou seu espectro e absorveu outros temas comumente negligenciados nos estudos da política mundial. Assim, a teoria feminista passou a investigar como o sistema internacional e a economia global contribuíram para a subordinação da mulher e outros grupos marginalizados e como esse mesmo sistema causou constrangimento e deficiência na área da segurança humana de grupos.
Deve-se considerar que, igualmente à teoria construtivista, a teoria feminista das RI possui uma gama de nuances e seus autores e autoras, que muitas vezes discordam entre si, abordam temas variados sob perspectivas, instrumentos analíticos, epistemologia e metodologia diversificadas. Portanto, pode-se falar na existência de feministas liberais, marxistas, pós-modernas, construtivistas, críticas. Se por um lado, essa ausência de uma agenda de pesquisa comum é considerada por alguns acadêmicos como uma fragilidade da teoria feminista, por outro, justamente por não possuir um arcabouço de princípios fechados é que essa perspectiva teórica tornou-se uma ferramenta analítica rica e multifacetada, a qual permite o acesso a diferentes realidades da sociedade internacional.
Mesmo com essa diversidade de temáticas, existe pontos em comum compartilhados pelas propostas feministas das RI. Os autores concordam que a preocupação central da corrente está em pesquisar e demonstrar como a vida de pessoas marginalizadas é posicionada em termos de raça, classe, cultura e, claro, gênero. A investigação se concentra em delinear como a política global exerce impacto sobre esses indivíduos e suas identidades e como os elementos de constrangimentos foram construídos por meio de discursos, regras e normas no tempo histórico. Hoje, observa-se pesquisas feministas trabalhando com temas diversos que afetam as RI, como por exemplo: governança global, economia internacional, tráfico de pessoas, construção de identidade, formação de discursos, etc.
De tal forma, a principal contribuição da teoria feminista das RI foi oferecer um espaço de diálogo sobre as condições humanas negligenciadas na área até então. Vozes que raramente foram ouvidas passaram a fazer parte da agenda internacional e políticas públicas internacionais começaram a agir em prol desses indivíduos. Um exemplo de uma dessas ações foi a Conferência de Beijing proposta pela ONU, em 1995, que discutiu os direitos da mulher.
Atualmente, o poder feminino nas RI está repleto de ações. O movimento das Mães da Praça de Maio na Argentina; OINGs lideradas por mulheres que lutam contra as práticas de mutilação feminina na África ou que lutam pelo direito à educação escolar de meninas no Afeganistão; formação de tropas de peacekeeping pela ONU, composta somente por mulheres para atuar em regiões onde abusos foram relatados; e a cada vez mais visível, porém ainda insatisfatória, ascensão de mulheres em postos de tomada de decisão relevantes para a configuração da política internacional. Por fim, dentro de suas limitações, a teoria feminista das RI é um convite para pensar um mundo mais democrático, includente, construído em instituições onde o gênero não representa um sistema de opressão histórico. São objetivos como esses, baseados em princípios de paz e justiça, que têm motivado a disciplina de Relações Internacionais desde a sua criação. O papel da mulher na construção desse mundo não deve ser negligenciado.
FELIZ DIA INTERNACIONAL DA MULHER!!!!
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Leitura recomendada: TICKNER, J Ann. Gendering World Politcs. New York, Columbia University Press, 2001.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
Identidade alternativa
Com o projeto iniciado no final do ano de 2008, foi lançado no mês de Fevereiro uma nova proposta de marca para a identificação da UFRR. Em entrevista feita com Éder Rodrigues, coordenador de comunicação da UFRR e com o web designer Ruan Krios no dia 20 do presente mês, Éder deixou claro a importância da criação de uma equipe que possa dar suporte para a criação e desenvolvimento técnico de novas áreas, como exemplo a criação de logomarcas, identidades visuais e publicidade.
Explicando um pouco mais do surgimento da nova marca, Éder ressalta a importância de o projeto ser sempre embasados em uma linha ideológica que envolve uma seria de elementos. A figura desenvolvida é a união de todos estes elementos e dessa junção, temos como arte final uma marca alternativa e leve em comparação ao brasão utilizado desde o começo da universidade. A jovialidade, já que estamos falando de uma universidade de apenas 20 anos, a sua posição geográfica, sendo esta uma universidade presente em área de fronteira e a sua presença na região amazônica, foram elementos prioritários na concepção de uma nova figura.
A criação de uma logo alternativa, moderna, simples e fácil de memorizar acompanhar uma tendência mercadológica e é para muitos do ramo o caminho mais curto para se atingir as pessoas. A marca alternativa vem com o objetivo de tirar um pouco a formalidade do brasão de deixar um toque mais jovial na universidade.
Explicando um pouco os elementos gráficos que podem ser encontrados na logo e fazendo uma ligação com seus respectivos significados, temos na figura original a cor predominante o verde, este que vem com o intuito de representar a Amazônia, região da qual a universidade esta inserida. Fazendo um semi-contorno na figura podemos perceber um corte estilizado e moderno que representa a porta de entrada da universidade, Éder destaca que a entrada da universidade comunica entre tudo acesso, controle, organização. O intuito desde traço foi à forma encontrada de se representar na nova marca uma das construções com mais destaque na UFRR. As curvas presentes nos caracteres vêm com a proposta de representar o fluxo e o constante crescimento da universidade, mostrando que a universidade cresce não somente em volume, com construções e o constante crescimento de alunos mais também na busca para a ascensão no cenário acadêmico nacional e internacional. A utilização de um efeito de tom e sobre tom foi feito com o objetivo da diferenciação das siglas, Ruan explica que a mudança de um tom mais claro para um mais escuro além de ser uma técnica de designe tenta dar uma sobreposição da universidade (UF) e do estado de Roraima (RR), no site da UFRR pode-se encontrar algumas outras variações de cores, estilizadas e sempre seguindo o mesmo modelo buscando se adequar em cada caso e a pura questão de estética e gosto entre as pessoas, destaca Ruan.
Perguntado sobre o desuso do brasão, Éder deixou bem claro que o brasão não será esquecido, por ser um símbolo antigo e ter uma grande ligação visual com a universidade, já que, ambos andam de mãos dadas desde a fundação desta. A proposta da marca alternativa não é substituir o brasão, este que ainda continua como símbolo oficial da instituição e continua sendo utilizados em documentos oficiais da universidade, como memorandos, ofícios, materiais enviados para outras universidades, entre outros processos mais formais.
A partir do novo logotipo veio à brilhante idéia da criação de um selo comemorativo dos 20 anos da UFRR, o selo desenvolvido deve ser muito divulgado em eventos da universidade realizados esse ano como palestras, acontecimentos culturais entre outros eventos. A proposta do selo agora é que este caia no gosto de todos e que seja bastante utilizado no decorrer do ano.
A logomarca entra agora em um processo manutenção e campanha publicitária, será feito um trabalho de marketing em cima da figura e espera-se que esta seja bastante utilizada e caia realmente no gosto de todos, ressaltam Éder e Ruan.
Postado por: Sheldon Gomes Jr. da Silva Sauro.
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
A Guerra e os Invasores!
O cinema, sempre majestoso. O terror, o renegado gênero. A guerra, o constante medo mundial. Pratos cheios para internacionalistas, cinema e guerra sempre geram bons debates, e boas discussões. O cinema sempre foca a temática da guerra no gênero drama. Das megas produções hollywoodianas como ‘O Resgate do Soldado Ryan’, que mostra a Segunda Guerra de um impressionante ponto de vista americano, a cult movies como ‘Adeus Lênin!’ que retrata os efeitos da Guerra Fria, ambos ótimos, mas um filme de guerra ambientado no gênero terror é mais desconcertante, e aguça a curiosidade de qualquer cinéfilo.
Com certeza Jack Finney ao escrever sua obra entitulada ‘The Invasion of The Body Snatchers’, não imaginaria o alvoroço que iria causar, e muito menos que tocaria no assunto guerra, ou sabia? O “livreto” conta à história de uma espaço-nave americana que caí na Terra, trazendo consigo uma estranha epidemia alienígena, causando um estranho comportamento nas pessoas que adquirem o vírus. Nos anos 50 no auge da Guerra Fria, onde o mundo já estava separado nos dois blocos, Kevin McCarthy e Dana Wynter, queridinhos de Hollywood da época, estrelaram o filme livremente baseado na obra de Finney, e dirigido por Don Siegel, Vampiros de Almas (The Invasion of The Body Snatchers), conta com o mesmo argumento do livro, mas em tempos de Guerra Fria isso teria outra conotação. Para quem assiste ao filme pela primeira vez atualmente, é um simples filme de ficção-cientifica, mas na época foi diferente. A história gira em torno de uma mulher (Dana Wynter) que após ficar sabendo sobre a queda da espaço-nave, e que um estranho vírus está se alastrando, começa a reparar que seus vizinhos agem de uma estranha forma. O vírus não transforma as pessoas em zumbis, tão pouco em vampiros como sugere o criativo título brasileiro, elas simplesmente não são elas mesmas, agem como robôs, e pensam em construir uma nova sociedade perfeita, sem guerra, sem destruições, mas também sem demonstrar emoções para com o próximo, estes não mais seriam humanos. Dizem as “más-línguas” o filme foi uma conspiração do governo americano para informar que o socialismo tentaria penetrar na América, de uma forma invasora, e que se desse certo transformaria as pessoas em meros capachos de uma forma de governo ridícula, e que os americanos tinham o dever de combater os chamados “invasores”. Teoria esta não muito acreditada, mas não menos interessante.
O interessante da obra de Jack Finney, é que ela coube como uma luva, para as críticas sociais de 50 anos antes com a Guerra Fria, e de um governo caótico americano destes últimos oito anos, Finney não saberia o “estrago” que faria. O governo Bush está se despedindo, e vêm aí uma nova era, e tomara que os “invasores” não estejam presente para mais uma guerra. Outra questão que a obra aborda é, se vale deixar de fazer guerra, de roubar, de manipular, para viver em uma sociedade ideal, mas sem demonstrar nenhuma emoção, vivendo para sempre como um robô. E lembre-se não demonstre emoções por que eles estão chegando!
escrito por: Lucas Brilhante Veloso.
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
O Brasil no mundo que vem por aí: Sobre a III Conferência Nacional de Política Externa e Política Internacional
Pelo terceiro ano consecutivo, professores do Departamento de Relações Internacionais participam da Conferência Nacional de Política Externa e Política Internacional deste evento que é referencia na área de política externa e diplomacia. Procuramos sempre agregar valor ao evento e com isso marcamos uma tradição de participação do único curso de RI
A III CNPEPI foi realizada nos dias 8 e 9 de dezembro de 2008, no Palácio Itamaraty, na cidade do Rio de Janeiro reunindo personalidades das áreas de relações internacionais, ciência política, geografia, história, economia, direito, sociologia e antropologia. Os temas que integraram o programa da “III CNPEPI”, expostos e debatidos por destacados acadêmicos e autoridades foram : 1) América Latina; 2) Estados Unidos; 3) Europa; 4) África e Oriente Médio; 5) Rússia; 6) China, Índia e Japão e 7) Amazônia.
Com relação à temática da Conferência, cabe mencionar a importância crescente e inelutável das relações internacionais para o estado de Roraima. Assim, quando se houve falar na implantação de uma Zona de Livre Comércio e de uma Zona de Processamento de Exportação estamos nos referindo a instrumentos de desenvolvimento nacional aplicados no nível regional que têm vinculação com experiências externas similares no México, China, Ásia e África. Cabe um adendo no sentido de informar que Comércio Exterior é parte integrante das Relações Internacionais, pois enquanto o primeiro trata de normatizações e rotinas procedimentais do comercio internacional, a segunda lida com as repercussões econômico-comerciais na vida das comunidades participantes da Sociedade Global.
Além disso, as relações fronteiriças Brasil, Venezuela e Guiana, em suas dimensões política, econômica e social, preenchem o cotidiano de indivíduos e governantes roraimenses Quando a mídia nacional, local e regional repercute as eleições no Estado Bolivar na Venezuela, a finalização da Ponte sobre o Rio Tacutu, e sua inauguração com a presença do presidente Lula, e as idéias de internacionalização da Amazônia, Roraima coloca-se no epicentro das discussões sobre as relações internacionais.
Portanto, se a “III CNPEPI” teve o propósito de promover diálogo e debate direto entre acadêmicos e diplomatas sobre questões prioritárias do cenário internacional e da política externa brasileira, a inclusão da temática amazônica como parte da conferência é um sinal que o MRE está tomando consciência da importância da Região para a formulação da política exterior do Brasil. Cabe aos internacionalistas formados em cursos de graduação em relações internacionais e aos professores e pesquisadores com sólida formação em RI contribuir para pensar a Amazônia a partir de um viés amazônico.



